quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vanusa e o Hino Nacional!


Quem costuma navegar na internet sabe da repercussão do vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=6w9MpztV4gk): comentários, piadas irônicas e etc e tal.
Isso põe na vitrine, o quanto nós brasileiros temos o costume de achar que tudo precisa ser engraçado, tudo precisa ser um “poço de arreganho” só.
Basta notar o número pessoas que menospreza qualquer tipo de música que não dê pra dançar, ou os milhões que ficam como lagartixas alegres toda vez que um novo reality show “embasbacante” está pra começar.
Ok, pode dizer que estou falando de coisas desconexas, mas no fundo você vai perceber o quanto tudo isso faz parte do nosso mesmo “sambinha”.
A cantora Vanusa justificou-se, após o erro na apresentação, que estava sob efeito de remédios sedativos (ela tava meio groguezinha mesmo, dá pra notar no vídeo). Mas isso chama atenção pra um outro ponto, do qual as pessoas preferem não enxergar, preferem achar graça:
Você sabe o hino do seu país?
Você entende o que o hino está dizendo?
Você entende o que as músicas de hoje em dia estão dizendo?
Você sabe o significado das palavras que usa?
Aí que está o problema, muito provável que assim como a Vanusa, você erre o hino nacional, pois você além de não saber cantar ele, de fato, não entende “patavinas” do que está dizendo ali, estamos nos acostumando cada dia mais a um vocabulário pobre e chulo. Vocabulário este ampliado por novos ídolos, surgidos em reality shows, Mtv’s e afins.
Não precisa falar pomposo pra falar bem (o hino nacional é um poema no estilo parnasiano, que valorizava um vocabulário empolado), mas precisa falar certo.
É incrível o número de pessoas que ficam apavoradas quando precisam escrever uma redação, ou algo simples que seja, falar em público, conversar sobre um assunto qualquer, enfim... se expressar por meio das palavras.
E o que isso tem a ver com música?
Tudo... ponha um pouco mais de atenção nas músicas que você ouve pra saber o que de fato elas estão dizendo. Quando não são os funks, com letras “rebuscadamente” sexuais, são os sertanejos universitários enaltecendo a ida pro bar, sexo e traição. E o que considero o pior de todos os casos: a banda de pop rock Bidê ou Balde que tem uma letra que fala nitidamente de incesto, sim incesto.
Mas segue a tradição de nosso país, onde o que prevalece é o “bundalelê” e todos cantam e batem no peito com orgulho daquilo que jamais nos fará melhores.
Jogue sua consciência no lixo e saia pra dançar....

Sem abraços e canções hoje...



Coluna semanal no Jornal "A sua Voz"

domingo, 6 de setembro de 2009

"O som nosso de cada dia"


Pense na música que tocava quando você conheceu seu irmão, recém vindo a esse mundo; se você não teve esse momento pense na música que estava tocando no dia que você mais chorou na vida...
Provavelmente você não vai conseguir se lembrar dessa música, provavelmente não tocava música nenhuma nesses momentos, mas se você pensar nisso agora vai poder notar que um certo tipo de inquietação corre dentro de você, algum tipo de som começa a tocar, mesmo que você não toque nenhum instrumento.
Esse som que você “ouve”, sente, é aquela velha história, difícil de entender, mas que você já ouviu falar com certeza. A música existe dentro de você. Para alguns ela aflora de maneira mais intensa, ela transparece por alguma parte física de você, seja dançando, seja cantando, cantarolando, etc. Para outros ela pode vir a se materializar, por meio de instrumentos musicais, se você toca ou não, pode ser o desejo que fará você procurar por uma escola de música ou um amigo que já saiba tocar.
Essa sensibilidade à música, porém, muitas vezes é percebida de forma equivocada. Explico: muitas pessoas acreditam que música para querer dizer alguma coisa precisa literalmente dizer, ou seja, precisa de letra, de palavras que falem algo que tenha a ver com você. Agora note o quanto você pode gostar de músicas que estão em uma língua que você não entende patavinas. Outro exemplo: imagine aquela linda cena que você viu no filme sem aquele “barulinho” no fundo, você nem notou que alguma coisa tocava, mas estava lá.
Claro, não vamos considerar que uma boa letra não ajude a música a chegar onde ela quer em você, mas sim que ela está ao seu alcance muito mais do que você imagina, que você não precisa ser músico ou poeta ou o que quer que você acredite que precisa ser para sentir a música, pra que ela lhe faça bem como a tantos faz.
Todos temos a musicalidade dentro de nós, uns mais, outros menos, mas temos, é fato. Cabe então, descobrir a melhor forma de sentir essa virtude tão peculiar que colocaram dentro de você.
Sua vida tem uma trilha sonora e somente você poderá descobrir as notas.

Abraços e canções,

Junior Marques.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

E nada acontece...


O que eu escrevo essa semana se nada de relevante acontece no meio musical?
Foi exatamente dessa pergunta que surgiu o tema da coluna de hoje.
É triste, porém real, estamos em uma época onde tudo é tão superficial e rarefeito que para que possamos falar sobre música, e desenvolver um assunto interessante sobre algum ponto precisamos buscar coisas avessas ao que “acontece” (melhor dizendo: deixa de acontecer) no cenário musical atual.
Simples de perceber isso, quando esta semana comemoram-se 40 anos de um festival que tinha a proposta de mudar o mundo e não conseguiu, Woodstock! Não conseguiu mudar o mundo, mas deixou um legado artístico imensurável, artistas como Jimi Hendrix, Creedence, Santana, The Who, Bob Dylan, entre outros, pisaram no palco de Woodstock.
Parece papo de guitarrista nostálgico, mas se levarmos em conta que os “grandes ídolos” de hoje surgem e desaparecem mais rápido do que o tempo que você leva pra ler essa coluna, não fica tão difícil entender porque ainda se comemora esse festival.
Não à toa que essas bandas arrastam milhares de fãs a estádios e ainda vendem milhões de discos no mundo inteiro, mesmo sem estarem tocando no seu rádio, ou até mesmo sem que estejam em atividade. Já ouvi muita gente dizendo: “Não sei como tem gente que gosta dessa gritaria”, referindo-se a conjuntos com um pouco mais de atitude.
Não percebem que a coisa toda vai muito além da “gritaria”. Essas bandas angariam tantos fãs justamente por não fazerem música apenas por fazer (grande mal que assola os artistas de hoje), são grandes por terem quebrado regras e influenciado mudanças, por estarem inseridas num contexto ao invés de simplesmente seguirem um modismo barato, dando aval ao exorbitante comodismo da música popular atual.
Mas a coisa toda não pára por aí...
Muitos desse conjuntos/cantores, também se entregaram ao comodismo. Lançam discos um igualzinho ao outro, sem nenhuma expressividade, sem nada de novo pra mostrar. Vide artistas que se escondem atrás do nome que fizeram há 30 anos atrás , lançam qualquer porcaria, e vendem milhões de discos aos fãs que não conseguem ter senso crítico por estarem vendados por seu fanatismo.
Seria ignorância minha dizer que nada de expressivo surgiu desde os anos 70, mas comemorar Woodstock é também uma forma de lamentar os anos de vacas magras que a falta de atitude tem nos propiciado.

quarta-feira, 25 de março de 2009

A Resposta está na faixa...



Alguns alunos do ensino médio da rede estadual de Vila Velha (ES) não tinham o que fazer e resolveram "protestar" contra o aumento da carga horária nas escolas da cidade.
A julgar pelo "texto" da faixa, eles deveriam ficar o dia inteiro trancados na escola, a pão e água, até aprenderem a escrever direito.
Infelizmente, o cartaz e a fisionomia "engajada" deste bando de bucéfalos adolescentes são o retrato atual, fiel e triste da tal "juventude brasileira"...

Post original do Blog "entrelinhas" de Régis Tadeu

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

E querem transformar isso em manifestação cultural!!!


Esses dias o Dé fez um comentário em um de meus post que achei indigno que ele ficasse lá, decidi postá-lo então. Segue abaixo o seu texto:


Estive pensando, quanto mais a sociedade "evolui", mais nos parecemos com macacos, lembram-se de nossos ancestrais? Caçavam, se reproduziam, guerreavam, tudo por instinto
Estamos regredindo moçada, nós mesmos nos forçamos a isso, fazemos coreografias ao som de funk que nada mais são do que danças do acasalamento, então pra que inteligência?
É só vc ser um hábil caçador para se dar bem!!
Jogue sua consciência fora e saia para agitar.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"Cuidado ao prestar vestibular"




Certa vez cheguei para um primo meu mostrando um cd que havia comprado, era de uma banda que eu nem vou citar o nome de vergonha...(risos). Pois bem, o que posso dizer é que era o cd de uma dessas bandas que se eu falar agora você não irá lembrar mas fazia muuuuuito sucesso, então meu primo disse o seguinte: “Legal cara, mas... tu tem que começar a comprar os cds das músicas que você vai gostar pra sempre”


Aquilo ficou na minha cabeça, como eu ia saber as bandas que eu ia gostar pra sempre?
Bem, o fato é que ele tinha razão, em pouco tempo eu deixei de gostar daqueles cds e até dei pra uma amigas minhas depois, deixei de gostar ao mesmo tempo que todo mundo deixou de gostar, bem curioso isso!

Continuei tentando encontrar o meu “gosto pra sempre”, ao mesmo tempo que consegui notar o quanto de coisas que “armas de ataque em massa” como a mtv jogavam guela abaixo da meninada.
Bandas sem qualquer fundamento surgiam do nada e se tornavam fenômenos musicais, gente linda e sem talento despontando na globo. E estilos musicais iam e vinham numa velocidade incrível.

Comecei então admirar bandas que tinham realmente algo a dizer, procurei por quem não estava na mídia 24 horas por dia, por quem não tinha clipes na mtv, e por músicas que não tocavam nos carros.
Encontrei... gosto dessas bandas até hoje.
Agora o porquê do título dado a esse texto?
Pense no estilo musical que está martelando na cabeça de todo mundo agora , seja em novela, nos carros, shows de final de semana...
Sim, o tal do “Sertanejo universitário”
Pegam um estilo que já está gasto após tanto tempo de mesmice, colocam uma bateria de pop rock, aceleram o andamento da música e.... continuam falando da mesma coisa de sempre.
Ah, pra quem entende um pouco de música a harmonia se baseia nos repetidos, cansativos, “inovadores”... mesmos acordes.
Esses dias um aluno meu me perguntou como eu conseguia tocar toda aquela música sem conhecer ela, falei: “Simples, é tudo igual!”

Bem, a questão não é preconceito musical, como você pode estar dizendo, mas o excesso de badalação em torno de um estilo musical que não tem nada a dizer e não consegue apresentar nada de novo desde que surgiu. As rádios, emissoras de tv, casas de shows estão sugando o máximo enquanto dá, porque em pouco tempo tudo vai ter sumido, como sempre acontece com um estilo musical calcado em clichês e ausência cultural.
Ou por acaso você lembra do “Pagode Universitário” ?

Agora te pergunto, mesmo que você não goste desses estilos que vou citar, por que estilos como o Jazz, o Blues, o Rock’n Roll, Bossa Nova, Sertanejo de Raiz, Samba... Por que esses estilos nunca sumiram? Seus artistas ainda estão aí ganhando bem e fazendo muitos shows, apesar de não estarem na mídia. Ah é... esqueci de citar, não é porque um artista não está na mídia que ele não faz mais sucesso, ok?

Pois então, não há nada de errado em ouvir um pouco de música comercial, acredito que elas tenham de existir também, tem que ter, mas comecemos a valorizar o que é arte de verdade, os estilos que tem algo a dizer. Valorize a cultura da sua cidade, do seu estado, leve seus filhos a concertos, apresentações de choro, bossa, blues... procure pelos cds que não estão na prateleira dos mais vendidos, e não ouça tanto rádio.

Talvez você leve mais tempo que eu, mas você pode encontrar a música que você vai gostar pra sempre. Ter seu estilo, independente do que possam estar ouvindo.
Aprenda a dizer por que você gosta de uma música e saiba falar sobre ela.
E lembre-se: cuidado ao prestar vestibular, você pode se tornar mais um “Universitário” , virar mais uma “Ondinha” e ser esquecido em pouco tempo.




p.s.: agora me digam: O que tem a ver Vestibular, que é uma coisa que todos sabemos, envolve dedicação, muito tempo de estudo com algo tão simples e superficial? Injustiça com os universitários.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Salvando a "Geração Nescau"


A coisa tá feia....
Na descrição do título do blog já comentei alguma coisa, porém sei que muitos não vão ler. Assim como muitos não lêem o perfil do orkut da pessoa que estão adicionando, apenas entupindo cada dia mais de gente como se tudo fosse um álbum de figurinhas.
A verdade é dura.... não há prêmio após completar o álbum. Hahahahaha...

A expressão surgiu das inúmeras discussões entre eu e meu companheiro de happy hour, melhor melhor amigo, parceiro de músicas... enfim. O André

Tudo está pronto demais, sem que a pessoa tenha que acionar mais de dois neurônios pra tomar uma decisão, é tudo automático e mecânico, tudo instantâneo, dai a homenagem ao querido achocolatado.

A "Geração Nescau" se caracteriza por toda essa meninada que anda por aí, com seus "divertidíssimos" brinquedos.
Qualquer criança, adolescente, está trocando um final de semana ensolarado por um Tíbia, ou um Msn... os brinquedos brincam sozinhos e crianças de 5 anos usam celulares e internet sem qualquer cuidado, restrição.

Acredito que eles sejam boas babás para os filhos dos cada vez mais ansiosos adultos, porém há algo de muito preocupante nisso tudo e que as pessoas teimam em fechar os olhos:
Uma geração sem criatividade e insossa, cuja maior decisão que tem de tomar é qual arma virtual irá comprar pra destruir o monstrinho novo que apareceu no game. Crescem acreditando que o mundo sempre foi assim, dominado por essas tecnologias que vêm do nada e tornam-se indispensáveis.
Esse post não é um discurso anti-tecnologia, porém acredito que nunca foi e nunca será errado discernirmos o que é certo do que é errado, o que é saudável e divertido do que é exagero.

Não tenha tanta pressa...
Aprenda as coisas que realmente vão te fazer feliz e ficarão guardadas na sua mente e até mesmo farão parte da sua personalidade.
Aprenda dançar, cantar, leia um livro, cante, aprenda um intrumento, faça teatro, caminhe, corra, converse cara-a-cara com as pessoas... preste atenção à toda superficialidade que há na maioria das coisas que estão lhe bombardeando nesse momento.

E que Nescau continue sendo apenas o inocente achocolatado da Nestlé...


Faça a diferença ou coma poeira